Com a fundação pronta, os adobes secos e os cálculos feitos faltava agora apenas resolver uma questão… qual a orientação da amarração dos adobes, deveriam as juntas ser verticais (1) ou horizontais (2). A resposta não foi simples de encontrar. No final quem nos ajudou foi o Arquitecto Gernot Minke a quem escrevemos com a nossa dúvida.

A resposta: do ponto de vista estrutural as diferenças são negligíveis. Assim os critérios passaram a ser os da facilidade de execução. A opção de juntas verticais (1) é claramente preferível uma vez que não exige o esforço de, de uma secção do edifício para a outra, encaixar adobes entre dois já colocados para continuar as fiadas.
Tudo estava pronto para avançar.
Com esta primeira experiência queríamos ver respondidas três grandes questões:
1- Se a abobada aguentaria…
2- Qual a deformação do arco na altura de retirar o molde de debaixo da abobada com um curto tempo de secagem (experimentamos retirar o molde apenas 20min. depois de terminado o assentamento dos adobes; necessitávamos de tempos de secagem curtos para poder terminar toda a estrutura durante o workshop de apenas 7 dias)…
3- Quanto tempo e quantas pessoas seriam necessárias para fazer uma secção da abobada…
E obtivemos as respostas:
1- Não houve qualquer problema, toda a estrutura comportou-se como esperávamos depois de tirarmos o molde. Não observamos o aparecimento de fissuras ou anomalias.
2- Na verdade tomamos providências para diminuir esta deformação sendo a principal a de utilizar na argamassa de assentamento um pouco mais de areia quebrada e grossa em relação à mistura dos adobes. Este aumento na aspereza argamassa proporciona mais estabilidade mesmo durante a secagem. Ao fim de 24 horas, o que verificamos foi, no centro da secção que construímos, uma deformação de cerca de 2cm na vertical e de 3cm na horizontal no sentido dos últimos adobes a serem assentados. Visto que um dos extremos da secção tem menos tempo de secagem, por os adobes serem assentes mais tarde, a deformação é maior de um dos lados movendo toda a estrutura num efeito “torre de pisa”. Esta deformação não foi muito significativa podendo ser compensada na posição do molde para a construção da secção seguinte.

Os adobes são colocados criando sempre uma diagonal para facilitar o assentamento das fiadas seguintes. Isto cria uma pequena assimetria nos tempos de secagem.
3 – Organizados em duas equipas de dois elementos (um “ajudante” e um assentador) conseguimos construir, sem qualquer experiência prévia, uma secção de 70cm (6 fiadas) em cerca de 4 horas. Foi claro o aumento da velocidade ao longo do trabalho. 4 Trabalhadores com mais experiência (e talvez auxiliados por um quinto elemento) poderão certamente assentar 2 metros (cerca de 500 adobes, 28 por fiada) num dia de 8 horas de trabalho.
Mais tarde tentaremos publicar em mais pormenor as etapas deste trabalho.